As Escamas Do Abismo
[ Fonte ] Sobre uma frágil ponte se mira um amanhecer onde, como se a noite jamais fosse voltar, atiramos todos o coração à profundidade dorida do mar. As ondas vertem além do areal dos afectos que ficaram por sentir e entregar, e, na sua imensidão, erguem-se até às montanhas mais gélidas do nosso arrependimento, deixando como poema de peregrinação um abandono de estátuas que petrificaram todos os momentos, aqueles datados a um quase sentir que muitos consideram felicidade ou ainda vão teimando viver. Não há resto de tudo que em nós pouco já faça, pois, vendemos os nossos ossos com a ânsia de ali um dia aprender a dançar. Não é que a melodia não seja bela, nem os passos contados, mas parece que alguém não nos ensinou a caminhar. E como querem eles que caminhemos? Se vendemos os nossos ossos e todas as nossas articulações? Quem somos nós neste crescimento intrínseco e indivisível da carne para além de um monte de nada com sonhos esfomeados de tudo mas que, no fundo...