A Estranha Ressureição do Luar

A vida é um longo traçado onde, todas as marcas do que ficou por dizer, fazem-se permanência na consciência substituta da voz em falta.
Somos um pequeno complexo sem dono à espera que a deriva nos traga as certezas de um azul espelhado nos céus. Mas será que sabemos apreciar a terra?
Esperei por ti tantos anos que fiquei pedra de tudo o que sentia. 
Aprendi que todo o tempo não é suficiente para te fazer tempo, nesta vida, que mediocremente me foi erguendo e, a tuas mãos, tive a honra de conhecer o andar ao mais alto de mim.
Sabes? Vivo com a incerteza no fundo da garganta, pois sinto todas as minhas palavras compostas como uma estranha sinfonia para ti. Danço-te, e danço-te até me caírem os pés, à melodia do maestro sem rosto cujas pernas atravessam oceanos apenas para sentirem as ondas do teu amor. Elas balançam sobre os meus sentimentos como se sentir fosse o mais belo naufrágio sepultado em mim.
Mas há um pequeno bilhete escrito ao delaço das ondas onde o teu rosto espelha os meus sentimentos. Nele está escrito:

Amo-te como se o inferno fosse um lago de cisnes movidos pelas labaredas que nos unem. 
Amo-te como se o céu fosse um tesouro movido pelas asas que desenhei nas tuas costas.
Voa, meu anjo, e que os teus sonhos nevem todas as noites sobre o meu horizonte.
Floco a floco, todos saberão me relembrar o verdadeiro motivo da minha existência.

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