A Tirania da Demência

A saudade tornou-se numa velha e rasgada tempestade que naufraga o presente numa ilha perdida algures a sul da minha imaginação.
Ela dança pelas ondas como se as marés fossem a alvorada do tempo, velho, cansado e apaixonado pelo fim, e ali, no maior desequilibro da sua vida,  faz do seu ultimo suspiro uma vertente no egoísmo de contar as gotas sob o meu pensamento.

Sou apenas mais um perdido naquela ilha ilha de dementes.
Olho-a na distancia como se os meus pés já não fossem cimento daquela areia.
Derivo sobre mim como se os movimentos fossem a sedução dos amores perdidos, aqueles uivados pelo mar, enquanto engole a terra firme que segura todo o tipo de resto de desejo que cavalga as mais altas ondas de mim sem obediência de voar.
Deixando, a meus olhos, uma espécie de destroços por reclamar de todas as vitimas que a tirania um dia lhes sorriu.

Esta é a marcha que se ergue aos dentes quebrados de uma serpente!
Ela, sem cabeça, marcha pelo submerso eu, e nas suas ruas mais intimas, me devora sobre os seus bicos-de-pés às janelas plantadas nas ruas que ligam as casas que guardam as mais belas memórias de mim.  Deixando-as ao alto como meras ilusões queimadas e prestes a voar nas minhas mãos para um lugar que não me consigo recordar de algum dia ter existido. Sepultando a ùltima fotografia juntamente comigo neste abismo sem dono.
Aquela que desgastada pelo meu sentir a deixou sem rostos, restando apenas o resto de todos os lugares onde um dia nos esquecemos que fomos felizes. 

Comentários